4.14.2006

Manifesto do dolor infermo

Pronto. Prometo, diante da fartura e da grana, que curarei tua febre ardida. Embora sempre te saia e entre ferida faz-te bem comer o prato inteiro. Em cima da cama a saliva sai sem o controle do proprietário e precisa parar. Tem sido permanente na garganta, incomodando o ar. A garganta, a saliva, a pele, o pente, os rostos dos vizinhos e da independente. A calçada, a Gláucia, a tomada e o elevador. A cidade toda levanta-se. A tomada de decisões importantes feitas por ignorantes e as suas. Respectivas expectativas. Expectorantes para a tomada de decisão são importantes. A escolha, num determinado horário em que ficar parado o é, independente da situação. Saiba então que os dias mais quentes e mais tumultuados refletem o estado jovem da dúvida e que a febre deve ser acompanhada de dores pelo corpo. Vermelhidão. Fique no escuro, prepare sucos. Seja você mesmo.

10 comments:

lindomavel said...

vivo meus nervos em dores mortas.
e com tesouras,
arranco minhas unhas
em carne viva,
células mortas.

angélica freitas said...

UAU! muito bom!

Dona said...

que lindo li!

muito bom?

alexandre said...

"prepare sucos"

minha vida tem sido assim...

mario pirata brincadeiro said...

peraí, vou fazer um chá verde.

Dona said...

isso cura?

Anonymous said...

...vindo do alexandre ou do mario pirata cura...

Anonymous said...

blééé
eu nao consigo postar sem ser anônima. sou, neguinha. e esse blog é todo bonito.
caroulina

Anonymous said...

sou eu

Dona said...

carônima! que bom te ver aqui!