11.30.2006




HUO: Até agora falamos de projetos que não foram realizados em razão de resistência ou rejeições. Você teve outros projetos que eram grandes demais ou simplesmente irrealizáveis? Projetos dos seus sonhos?
MC: A escala não é problema. A questão é como envolver as outras pessoas no projeto. Na maioria das vezes, esses projetos são mais interessantes como idéias irrealizáveis. Tenho certeza de que muitos deles seriam um desastre se fossem realizados. De vez em quando colocamos muito esforço em não fazer nada. É um exercício da perda.
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HUO: Qual tipo de público você gostaria de atingir?
MC: Eu não consegui saber ainda qual público que podemos atingir. Mas se existe a palavra público, significa que podemos usá-lo. É ótimo procurar o encontro e a conversa com as pessoas. Nesse sentido, o real significado do seu trabalho é simplesmente o que as pessoas vão fazer dele. Arte é também uma questão de desentendimento, porque as pessoas podem fazer o que quiserem com ela. Tenho pensado muito sobre religião: é uma ferramenta perfeita de comunicação - pode ser entendida por quase todos, muitas vezes é visualmente chocante e não tem nenhum significado em si mesma, enquanto carrega um senso de infinito.
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MC: Há desentendimento quando você realmente quer alguma coisa e as pessoas não entendem. Para mim, o desentendimento é muito mais forte do que a idéia gerada por ele.

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Hans Ulrich Obrist entrevistando Maurizio Cattelan. em Arte agora! em 5 entrevistas.
Livro indicado por André Mesquita das ilustrações incríveis.


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